sábado, 24 de agosto de 2013

Os 10 Mandamentos - 7° Mandamento

A cola da alma
O Sétimo Mandamento
Não adulterarás Êxodo 20:14

Não sei qual seria o relógio mais bonito do mundo na opinião dos especialistas, mas em minha mente não tenho dúvidas a esse respeito. Seria o relógio que sempre andou no bolso inferior esquerdo do colete do meu avô. Feito de ouro, tinha uma abertura com dobradiças na parte de trás e, de vez em quando, o vovô o abria para me deixar ver o pequeno mecanismo que se movia para trás e para frente, para trás e para frente, a cada avanço do ponteiro dos segundos. Outras rodinhas minúsculas moviam o suporte de diamante ao lado da mola-mestra à qual o vovô dava corda todas as noites antes de ir para a cama.
O relógio tinha tanto que ver com o meu avô que parecia impossível imaginá-lo sem ele.
Certa vez, quando eu tinha seis anos de idade, nossa família passou um fim de semana com o vovô e a vovó. No domingo de manhã, acordei cedo. Mamãe e papai ainda dormiam, mas ouvi um suave murmúrio de vozes vindo da cozinha, de modo que saí e vi meus avós comendo mingau de aveia com molho quente de maçã e creme por cima. Depois de um abraço de bom-dia, colocaram uma tigela sobre a mesa para mim, e comi junto com eles. O colete do vovô estava desabotoado, mas a corrente do relógio estava visível, como sempre, saindo da presilha que a segurava e desaparecendo no bolso do colete.
Com os cotovelos sobre a mesa e o queixo nas mãos, olhei para o rosto do idoso homem e expressei uma idéia que havia acabado de brotar na minha mente:
– Vovô, posso ficar com o seu relógio quando você morrer?
Não me lembro se os olhos azuis dele piscaram naquele momento, como faziam com freqüência. Mas sua resposta ainda ecoa na minha memória.
– Sim – disse ele. – Quando eu morrer, o relógio será seu.
Um senso de reverência me dominou e fiquei indescritivelmente emocionado. Acho que nem sequer terminei o desjejum antes de sair de mansinho e contar a maravilhosa notícia para mamãe. Para meu espanto, ela ficou horrorizada.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Os 10 Mandamentos - 6° Mandamento

Fazendo o impossível
O Sexto Mandamento
Não matarás. Êxodo 20:13

“De repente, pam! pam! pam! Dispararam três ou quatro armas. ...
Os rapazes saltaram para o rio – ambos feridos. Enquanto nadavam correnteza abaixo, homens corriam ao longo da margem, atirando contra eles e gritando: ‘Mate-os, mate-os!’ Aquilo me deixou tão arrasado... Desejei jamais ter chegado naquela noite para ver coisas assim.”1
Nessa passagem, Huck Finn descreve o selvagem assassinato de dois adolescentes, resultado de uma inimizade tradicional entre famílias. A história é ficção, mas quando Mark Twain a escreveu, em 1884, essas hostilidades eram comuns em todo o sul dos Estados Unidos e especialmente em Appalachia, onde clãs rivais lutavam entre si com feroz intensidade até no começo do século 20.2
Twain fez com que um de seus personagens explicasse assim: “Um homem tem uma rixa com outro homem e o mata; então o irmão do outro homem mata este; então os outros irmãos, dos dois lados, vão em busca uns dos outros; depois os primos entram em cena; por fim, todo o mundo está morto e não há mais inimizade entre as famílias. Mas isso acontece devagar, e leva um bom tempo.”3
O mais famoso desses duelos sanguinários foi a prolongada guerra entre as famílias Hatfield e McCoy, que viviam em lados opostos da divisa entre Kentucky e virgínia Ocidental. As origens da hostilidade são obscuras. Mas, segundo algumas fontes, o problema começou em 1878 com uma disputa sobre quem seria o dono de dois porcos selvagens. No auge da rivalidade, grupos de cinqüenta ou mais homens com armas pesadas realizavam ataques de surpresa ao longo da divisa estadual. Quando a derradeira matança ocorreu, em meados da década de 1890, ambas as famílias haviam sido dizimadas.
Sabe por que gosto dessa ilustração para a quebra do sexto mandamento? Porque não se relaciona com nada do que já fiz ou pensei em fazer. Não preciso, absolutamente, sentir algum tipo de culpa. Na verdade, vivi minha vida inteira sem nunca entrar num bosque à procura de alguém para detonar.
Bem... OK, talvez algo parecido tenha passado pela minha cabeça outro dia, quando fui ao supermercado. Nunca tinha visto um estacionamento tão lotado. Fui para cima e para baixo, para frente e para trás, procurando uma vaga. Finalmente, surgiu uma no fim da fila, e me dirigi para lá.
Mas... o que você acha que aconteceu? Estava eu quase chegando quando apareceu um sujeito e ocupou o espaço! Ah! Por alguns segundos, imaginei-me pulando até o indivíduo como o Tarzan e agarrando-o pelo pescoço. Mas é lógico que não fiz isso. Assim, essa vez não conta, certo?

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Não basta conhecimento superficial

Aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória. Colossences 1:27. {PC 5.1}
Há, na Palavra de Deus, muitos mistérios que não compreendemos, e muitos de nós nos satisfazemos de parar as buscas quando apenas principiamos a receber pequeno conhecimento a respeito de Cristo. Quando começa a haver pequeno desdobramento dos divinos desígnios à mente, e principiamos a obter leve conhecimento do caráter de Deus, ficamos satisfeitos, e pensamos que recebemos mais ou menos toda a luz que há para nós na Palavra de Deus. A verdade de Deus, porém, é infinita. Com penosos esforços, devemos trabalhar nas minas da verdade, descobrindo as jóias preciosas que estão ocultas. … Jesus pretendia dizer justamente o que Ele disse quando conduziu Seus discípulos a examinar as Escrituras. João 5:39. Examinar quer dizer comparar passagem com passagem, e coisas espirituais com coisas espirituais. Não nos devemos satisfazer com um conhecimento superficial.

Não negligenciar o culto familiar

Não depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento. 1 Timóteo 6:17.
Devíamos ser mais felizes e mais úteis, se nossa vida doméstica e nossas relações sociais fossem governadas pelos princípios da religião cristã, e ilustrassem a mansidão e simplicidade de Cristo. … Que os visitantes vejam que estamos procurando tornar felizes os que nos cercam, através de nossa jovialidade, simpatia e amor.
Ao nos esforçarmos para garantir o conforto e a felicidade de nossos hóspedes, não passemos por alto nossa obrigação para com Deus. A hora de oração não deve ser negligenciada sob motivo algum. … À tardinha, quando puderdes orar com serenidade e entendimento, apresentai vossas súplicas e alçai vossas vozes em alegre e grato louvor. Que todos os que visitam os lares cristãos possam ver que a vossa hora de oração é a mais sagrada, a mais preciosa, e a mais feliz hora do dia. Um tal exemplo não ficará sem efeito.
Esses períodos de devoção exercem uma influência enobrecedora sobre todos os que deles participam. Pensamentos corretos e novos e melhores desejos serão despertados no coração dos mais indiferentes. A hora de oração traz uma paz e descanso que são gratos ao espírito abatido, pois a própria atmosfera de um lar cristão é de paz e descanso.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Os 10 Mandamentos - 5° Mandamento

O Último beijo
O Quinto Mandamento
Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá. Êxodo 20:12

Eleni Gatzoyiannis vivia na Grécia numa época em que a guerra civil ameaçava dividir o país (1946-1949). Quando os comunistas tomaram sua casa para torná-la seu quartel-general, ela não ofereceu resistência. Quando a obrigaram a trabalhar em projetos para a comunidade e recrutaram sua filha mais velha para o exército, ela não se recusou.
Esperava que tudo aquilo fosse temporário e que um dia a vida voltaria ao normal.
Mas então eles anunciaram que levariam seus meninos, de 6 e 8 anos de idade, para outro país, onde seriam treinados dentro dos princípios do Partido Comunista. No íntimo do seu ser, ela sabia que aquilo não deveria acontecer e começou a planejar sua fuga. Ela concluiu que, se tentasse levá-los através das linhas rebeldes, nunca chegariam lá, mas raciocinou corretamente que duas crianças andando juntas pela estrada não atrairiam muita atenção. Às primeiras luzes do amanhecer, ela foi com eles tão longe quanto sua ousadia permitiu. Então, com um último abraço apertado, em meio a lágrimas, deu o último beijo e apressou-os pelo caminho. A última coisa que os meninos viram ao se virarem para trás foi à mãe acenando para eles à distância.
Quando os camaradas chegaram em busca dos meninos, ela tentou despistá-los, mas a verdade logo apareceu. Os líderes rebeldes a aprisionaram no porão de sua própria casa e a torturaram. Depois a levaram ao pomar e a colocaram diante de um pelotão de fuzilamento. Aqueles que testemunharam a cena disseram que, momentos antes da execução, ela ergueu os braços e clamou: “Meus filhos! Meus filhos!”
Dá para entender por que a história dessa corajosa mãe comove o coração de milhões. Toca uma corda em cada coração, porque o relacionamento entre pais e filhos é universal. Eleni fez o que toda mãe sente que faria se as circunstâncias o exigissem. A maioria dos pais morreria por seus filhos, não com dúvida nem hesitação, mas com alegria.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Mentira: Certo ou Errado?

Em qualquer situação, e em especial as de risco, o cristão  deve dizer a verdade? Vamos refletir um pouco se podemos omitir a verdade.
Teria Deus aceitado o emprego da mentira, como no caso de Raabe (Js 2:3-7) e até orientado o profeta Samuel a mentir (ISm 16:1-4)?
Para início de discussão, deve-se dizer que a Bíblia não apoia o emprego da mentira em nenhuma situação; ao contrário, credita-a ao diabo: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8:44). Ora, visto que Deus não apoia nenhuma espécie de mentira, como entender a mentira de Raabe e a instrução divina a Samuel para que ele omitisse o objetivo maior de sua visita a Belém? Analisemos a mentira de Raabe, relatada em Josué 2:3-7:

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Os 10 Mandamentos - 4° Mandamento

Encontrando paz
O Quarto Mandamento
Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou. Êxodo 20:8-11

Não sei quantas vezes viajei numa lancha para o porto de Livingston, na costa nordeste da Guatemala, mas foram muitas. Mesmo assim, nenhuma viagem era igual à outra.
Eram apenas cinco horas da tarde quando saímos do cais em Puerto Barrios, mas já começava a escurecer. Caía uma chuva insistente e, por isso, em vez de desfrutar a brisa no convés, todos se apertaram na pequena cabine. Tão logo nos afastamos do quebra-mar, a tormenta nos atingiu com fúria total.
Violentas rajadas de vento faziam a chuva bater contra as janelas com uma intensidade que ameaçava quebrá-las. Com uma das mãos me agarrei ao anteparo dianteiro para não cair e com a outra segurava a cabeça, tentando acalmar as fortes náuseas, que só pioravam a cada ondulação. Era impossível conversar, mas eu ouvia gemidos e, às vezes, orações ou palavrões de outros passageiros. Em viagens anteriores, pontos distantes de luz que piscavam para nós das casas ao longo da praia haviam marcado nosso progresso. Agora, mal podíamos divisar a proa da embarcação.
A viagem normalmente levava uns noventa minutos, mas dessa vez parecia uma eternidade. Comecei a pensar que o capitão podia ter perdido o rumo e que estávamos indo para o mar aberto, quando de repente a mais incrível calmaria nos surpreendeu. Em vez de ser jogado e sacudido de um lado para o outro, o pequeno barco passou a deslizar tranquilamente sobre a água, e lá adiante já víamos, através da chuva, as luzes do nosso destino.

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