Pequenos deuses
O Segundo Mandamento
Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há
em cima nos céus, nem embaixo na Terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as
adorarás, nem lhes darás culto; porque Eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso,
que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração
daqueles que Me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que Me
amam e guardam os Meus mandamentos. Êxodo
20:4-6
Ainda estava escuro quando saímos de casa e começamos a percorrer as
ruas desertas. Em pouco tempo, o brilho da cidade havia sumido atrás de nós, e
continuamos a viagem seguindo o túnel de luz criado pelos faróis. Durante um
bom tempo, o único som era o zumbido do motor e dos pneus sobre o pavimento.
Por fim, um toque de vermelho no horizonte começou a anunciar a aproximação
do dia. Não demorou muito para que víssemos uma borda estreita marcada por
intensa luminosidade. Era o Sol espiando por trás da colina próxima. De alguma
forma, sem parecer que estivesse em movimento, ele se mostrou cada vez mais
visível até que, minutos mais tarde, era dia.
Foi nosso filho mais velho quem quebrou o silêncio. Com apenas quatro
anos de idade, David nos surpreendia constantemente com suas curiosas
observações.
– Papai – disse ele – se viermos aqui amanhã cedinho e subirmos aquela
montanha, você acha que poderemos estender a mão e pegar o Sol quando ele
passar?
Pensei: Que visão de como trabalha a mente infantil! Não é que as crianças
se considerem grandes; o que ocorre é que elas tornam o mundo pequeno. A vasta
imensidão do Universo não cabe na sua pequena mente e, por isso, elas reduzem o
tamanho de tudo.


